O ataque, que não foi
reivindicado até ao princípio da noite, ocorreu em Peshawar, a principal cidade
daquela região, palco há dez dias de um ataque semelhante que fez quatro mortos
e 30 feridos.
Peshawar é capital da província
de Khyber Pakhtunkhwa, próxima da fronteira com o Afeganistão e refúgio de
talibãs, grupos 'jihadistas' e contrabandistas, que atuam de ambos os lados da fronteira.
Hoje, três granadas explodiram no
interior do cinema 'Shama', onde cerca de 80 pessoas assistiam à projeção de um
filme.
"Doze pessoas morreram e
pelo menos 16 ficaram feridas no ataque", disse à agência France Presse um
responsável da polícia local, Jamil Shah, retificando um primeiro balanço que
contabilizava 11 mortos.
Akbar Khan, um espetador de 62
anos ferido no ataque, contou à agência já no hospital que ouviu um barulho
ensurdecedor e em seguida sentiu dor como se uma barra de ferro em brasa lhe
perfurasse o braço e a perna esquerdos.
O Paquistão é frequentemente
palco de atentados sangrentos perpetrados pelo grupo talibã TTP, incluindo
ataques a lojas de CDs e DVDs que acusam de difundir valores contrários ao
Islão. Os ataques a cinemas são menos frequentes.
O comando central do TTP, em
conversações de paz com o governo desde o início do mês, negou qualquer
envolvimento no ataque de hoje.
Para o PTI, partido da oposição
liderado pelo ex-campeão de 'cricket' Imran Khan, o ataque foi uma tentativa de
"perturbar" o processo de paz.
O TTP negou igualmente o ataque
de há dez dias contra o cinema 'Picture House', reivindicado mais tarde por um
outro grupo armado, o que foi visto por analistas como um sinal de possíveis
divisões entre a rebelião islamita a propósito do processo de paz.
Nas conversações, os talibãs
exigem a libertação dos membros da rebelião detidos e a retirada das forças
armadas das zonas tribais.
Um relatório recente do Instituto
Paquistanês de Estudos de Paz citado pela agência EFE concluiu que, em 2012,
houve mais de 1.700 atentados terroristas no Paquistão, 61% dos quais
perpetrados pelo TTP.

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